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Preço do leite despenca, empurrado por excesso de oferta e estoque elevado

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Na fazenda – Produtor rural é o maior prejudicado

A queda no preço do leite pago pela indústria ao produtor rural já está gerando reflexos para o consumidor final. Pelo terceiro mês consecutivo o valor do produto diminuiu nos supermercados de Belo Horizonte, segundo pesquisa de Cesta Básica da Secretaria Municipal de Abastecimento.

Em janeiro, o preço médio da embalagem longa vida no varejo foi de R$ 2,07. Valor 5% menor do que o registrado em dezembro, quando o litro custava em média R$ 2,18. De novembro para dezembro, a queda chegou a 8,25%. Os derivados como o queijo prato, que tiveram pequena alta em novembro, acompanharam a tendência do leite e caíram 2% em janeiro.

Na média Brasil, formada pelos preços vigentes nos sete principais Estados produtores do país, a queda de dezembro foi de 4,5%. A pior dos últimos quatro anos para o período. Dentre os principais motivos estão o grande volume estocado pela indústria e não absorvido pelo mercado consumidor no último trimestre de 2014.

O diretor executivo do Sindicato da Indústria de Laticínios de Minas Gerais (Silemg), Celso Costa Moreira, explica que houve erros de estratégia no setor.

“No início de 2014, com as condições climáticas adversas e às vésperas de uma Copa do Mundo, presumia-se que teríamos uma oferta mais baixa e isso motivou a indústria a remunerar melhor o produtor. Isso fez com que a produção crescesse significativamente, porém não houve um consumo que acompanhasse esse aumento”, comenta.

O desequilíbrio de preços em relação ao mercado internacional também pesou no contexto do mercado interno. Segundo Moreira, a tonelada de leite em pó chegou a ser vendida por mais de U$S 5 mil no primeiro semestre de 2014 e fechou o ano sendo comercializada a menos de U$S 3 mil.

“Essa queda nos preços pagos ao consumidor é compatível com o que o varejo remunera e necessária do ponto de vista da saúde financeira da indústria. A queda deve permanecer em janeiro e, em fevereiro, pode haver alguma estabilização”, completa Moreira.

Em Minas Gerais, os produtores do Triângulo Mineiro e Alto Parnaíba foram os que mais sentiram a desvalorização do leite. Dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) apontam queda de 8% no preço líquido pago no mês de novembro, maior do que a média estadual, que foi de 4,94% no mesmo período.

O presidente da Cooperativa Agropecuária Ltda de Uberlândia (Calu), Cenyldes Vieira, comenta que desde o final de agosto a produção na região cresceu 20%, o equivalente a 30 mil litros de leite por dia.

Em novembro, a cooperativa precisou abaixar R$ 0,10 no valor do litro e, em dezembro, mais R$ 0,05. Segundo Vieira, por causa dos estoques de mussarela e leite UHT, que na indústria estão 100% maiores em relação ao mesmo período de 2014.

“A situação é bastante preocupante porque o produtor já está no vermelho e as indústrias, com margens muito apertadas. É preciso que o varejo, que está na outra ponta dessa cadeia, diminua sua margem para que haja mais estímulo ao consumo”, argumenta.

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Produtores rurais amargam desvalorização e aumento de custos de produção

Para o gerente da Cooperativa Agropecuária da Grande Belo Horizonte (Coopagbh), Carlos Eduardo, o maior prejudicado em toda a cadeia do leite é o produtor.

“Além da oferta em excesso, os custos com salário e energia elétrica aumentaram justamente em um momento que o leite perde valor”, comenta.

Para o primeiro bimestre de 2015, a expectativa da maior parte dos cooperados é de que os preços continuem em queda.

Hoje em Dia / Diário do Triangulo

 

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